Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Avaliação: quatro anos de farsa


A Ministra da Educação diz que vai manter o Simplex 2. Quanto muito, admite um Simplex 3, através de alguns retoques ao Simplex 2. E é isto: quatro anos deste governo resumem-se a esta farsa: um modelo tão burocrático que para ser aplicado teve que se desfazer em cacos, não significando absolutamente nada do ponto de vista da melhoria pedagógica das aulas. Quatro anos a dizer que ia avaliar os professores e o máximo que conseguiu Maria de Lurdes Rodrigues foi uma ficha administrativa e de assiduidade.

E é em nome desta farsa que alguns Directores, paus-mandados, cães de fila, ou outros nomes piores, querem prejudicar os colegas, não aceitando a ficha de avaliação dos que não entregaram objectivos individuais. É a fuga para a frente dos que enchem a barriga com novos poderes...mas tanta altivez vai concerteza estatelar-se no chão mais cedo do que tarde.

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Santo Onofre: a arrogância burocrática não funcionou


“Segundo informações que vou recebendo a comissão administrativa provisória (CAP) do agrupamento de escolas de Santo Onofre apresentou em bloco a sua demissão. Não consegui confirmar se se demitiram ou se foram demitidos.

Comecei a receber esta informação ontem e o facto foi hoje renovado. Informaram-me que foi o próprio coordenador da CAP que o divulgou hoje numa reunião realizada numa das escolas do agrupamento.”

Paulo Prudêncio, in Correntes

Comentário:

O governo quis impor uma Comissão Administrativa contra os professores e contra os alunos, quando o anterior Conselho Executivo vinha fazendo uma gestão de sucesso que fez do Agrupamento de Santo Onofre uma escola modelo. Pelos vistos, a Comissão Administrativa não aguentou a pressão ou não foi capaz de fazer frente à decência de quem exigia justiça. A confirmar-se esta notícia, é a arrogância e a burocracia que saem derrotadas. E ganham a escola e a democracia

Recibos verdes nas AECs: Será desta que acabam? E o que fica?


“O Governo aprova hoje um decreto que pretende acabar com os cerca de 15 mil técnicos de actividades de enriquecimento curricular do primeiro ciclo do Ensino Básico, contratados a "recibo verdes".”

Vê a notícia da TSF e a do Público

A confirmar-se é uma boa notícia, embora deixe muitas coisas por resolver:

E a intermediação das empresas de trabalho temporário ou de serviços? As câmaras ficam proibidas de recorrer a estas empresas e são obrigadas a estabelecer os contratos directamente com os professores?

Por outro lado, considera este Ministério que contratos de um ano significa estabilidade profissional? Se os técnicos/professores são necessários, por que motivo não entram nos quadros?

E sobra ainda a outra questão: a música e o inglês não deviam ser integrados no currículo normal? Com mais professores e técnicos especializados nos quadros das escolas? Não seria melhor fazer dos horários das AECs verdadeiros tempos livres, com ATLs gratuitos?

“A Ministra”: uma leitura recomendada


Recentemente editado, o livro “A Ministra” escrito pelo professor de Filosofia na Escola Secundária de Mem Martins, Luís Martins, com pseudónimo Miguel Real, foi certamente, neste período de férias, uma das obras escolhidas por muitos portugueses, desde logo os professores que se revêem na sibilina crítica à politica de educação do actual governo, “corporizada numa mulher fria, calculista e maquiavélica” como escreve o jornalista Pedro Almeida Vieira na introdução da entrevista à Noticias Sábado (NS) do autor da obra literária que promete dar polémica.

Admitindo haver uma ligação à actualidade da politica de educação em Portugal, Miguel Real, afirma que “A política de educação seguida por este governo, pelo primeiro-ministro e pela ministra, foi feita de maneira ostensiva, burocrática e sem diálogo (…) O governo pretende que os professores façam do aluno exclusivamente um homem tecnológico e num prazo de quatro anos ou cinco anos” acrescentando este professor / escritor, tratar-se de “uma politica pombalina” que admite, que José Sócrates quer seguir e por isso, “quer ferozmente, desenhar um homem tecnológico, vazio de alma, não investindo na cultura”. Mas como tão bem identifica este conhecedor da matéria, “A educação é o coração da cultura, a alma cívica. E estamos simplesmente a dar matéria e com os níveis de exigência a baixar. Ou seja, a preparar um aluno a ser apenas apto para executar uma profissão”.

À pergunta se é necessariamente mau preparar um aluno para executar uma profissão, Miguel Real, não desarma e insiste na denúncia do caminho que está a ser trilhado, afirmando, “É mau porque estamos a criar pessoas como se fossem robots” ou seja, conclui sem hesitações, “Na escola pensada por José Sócrates não se quer dar valores nem cultura, apenas o mínimo de princípios cívicos que fazem parte do politicamente correcto tecnológico” e acrescenta, que “A escola deve dar um ensino humanista”.

Interessante é a definição das diferenças das duas formas de ensino, que levam o entrevistado a dar como exemplo, que “Tanto a educação tecnológica como a humanista dão valor aos bons alunos. Mas a educação tecnológica até dá mais: dinheiro. Nos últimos anos, o Ministério da Educação entrega cheques aos alunos em função das notas” por isso, como adianta “Em termos de mensagem, significa que todo o esforço mental e de raciocínio é transformável em dinheiro. Numa escola humanista dar-se-ia, por exemplo, férias culturais, um cartão de entrada para museus, livros, isenção futura em propinas. Dar dinheiro vivo é algo abjecto, feito por quem apenas vê dinheiro à frente. É conspurcar a educação. E isso define, em absoluto, a senhora ministra da Educação: só vê números, só vê objectos e estatísticas” fantástico, até pela coragem neste tempo que considera, que o primeiro-ministro quer seguir o “sonho pombalino”, com todos os riscos que isso contem.

O que espera então este professor de Filosofia que venha a suceder no futuro da educação e do ensino em Portugal? A resposta é peremptória ao assumir que “A actual ministra da educação é a pior desde o 25 de Abril” e assim sendo só admite que depois dela venha um ministro humanista.

José Lopes (Ovar)

Concentração de professores não colocados é na 5 de Outubro

É às 14h30. Esta é a terceira mudança no local da reunião. O Ministério não tem vergonha na cara. Sabe que a perdeu e por isso já não tem nada a perder. É a táctica do quanto mais besta melhor. Vê aqui mais informação

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Até a OCDE lhes falha

Depois da trapalhada dos números e dos discursos acerca dos exames nacionais, agora é outro dos pilares da encenação de rigor do Ministério da Educação que está a ruir. A OCDE, que também foi instrumentalizada no discurso do Ministério com o objectivo de colocá-la a sancionar as suas políticas, vem agora “considerar que o actual modelo causa focos de tensão e deve funcionar como futura base de trabalho” segundo a TSF.

E, mais uma vez, a Ministra tenta tapar o sol com a peneira agora dizendo que é apenas “um contributo técnico para a melhoria do modelo de avaliação”. O tipo de contributos que ela recusou até agora e que mais parece ser uma crítica que compromete ainda mais o modelo esburaco de avaliação que se tenta impor às escolas.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

A concentração itinerante

O Ministério da Educação vai mudar outra vez o local da reunião com a FENPROF. Desta feita a indicação é que é na DGRHE, na 24 de Julho, à mesma hora.

Parece que o Ministério da Educação anda a fugir porque tem medo da concentração de professores/as. Depois disto, só temos que lhe dar razões para ter medo e aparecer onde quer que seja. Porque por mais que deslocalize as suas reuniões não vai demover quem tem mais do que razões para protestar. É que, senhora ministra, nós, contratados/as e qzp, já estamos habituados a andar com a trouxa às costas e não é assim tão fácil escapar-nos. E vá reunir para onde for, não consegue fugir à triste realidade que criou na educação em Portugal.

Carlos Carujo

Do uso político dos exames nacionais

A capa do Jornal “Público” de hoje salienta a inconsistência das posições da Ministra da Educação relativamente aos exames de Matemática. Os/as os professores/as já tinham reparado nela. Maria de Lurdes fica presa entre a apropriação dos resultados positivos para a finalidade política de defender que a melhoria se deve ao trabalho do seu Ministério (e dos professores e das escolas também, vá lá…) e a desculpabilização do Ministério dos resultados negativos, culpando a falta de trabalho dos alunos e sobretudo a comunicação social que teria influenciado esta falta de trabalho dando a entender que seria tudo muito fácil em ano eleitoral. Se tudo correu bem fui eu, se tudo correr mal foram eles, isto no espaço de semanas.

Percebe-se a aflição de um Ministério que vê os seus dogmas de suposto rigor postos em causa: quando o rigor são números desgarrados lidos de forma leviana e quando ao qualidade de ensino se reduz à existência de exames, estes resultados devem doer muito. Com o seu orgulho burocrático ferido de morte, Maria de Lurdes, mesmo tendo amigos bem colocados no topo da hierarquia, terá muita dificuldade em ter avaliação final positiva. Isto a menos que construa uma grelha bonita ou um portefólio catita justificar isso, que o rigor do seu sistema de avaliação é suficientemente flexível para que tudo se resolva pela aparência de seriedade e que se envolva de um paleio engana-tolos. Ou não.

Carlos Carujo, São Brás de Alportel (até ao fim do mês que depois logo se vê)

Concentração de professores não colocados mudou de local


Passa para a sede do CNE (Rua Florbela Espanca) e é às 14h30. Na quinta - feira, dia 16 de Julho.

Concentração de professores alterada

O Ministério da Educação alterou a hora e o local da reunião com a FENPROF que coincidia com a concentração de Professores descolocados no concurso. Assim, a concentração passa para as 14,30 horas na sede do CNE, Rua Florbela Espanca, em Alvalade, bairro dos Coruchéus.

A urgência de participar e de lutar contra a precariedade mantém-se.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

A ilusão da ciência ou a exactidão dos sonhos entre exames e concursos


Todos os anos, mais ou menos por esta altura, somos confrontados com a dificuldade de compreender a exacta dimensão do significado dos resultados dos exames finais e todos os anos o governo nos brinda com o oximoro que mais convém para servir a agenda do momento.

Os resultados dos exames servem para tudo. Há um ano os resultados de matemática tinham subido em média. Dizia o governo que isso era o resultado da eficácia do plano nacional da matemática, da dedicação dos professores e da competência do governo. Este ano os resultados desceram e o inefável secretário de estado Valter Lemos lestamente veio anunciar que a responsabilidade era dos comentadores políticos, da Sociedade Portuguesa de Matemática e dos partidos.

O jogo de ilusões que o governo procura fazer passar é indescritível. Descarta responsabilidades quando convém, distribui culpas com a mesma leveza de quem distribui pétalas de flores, tenta adoçar a boca dos professores num dia e agride as suas associações profissionais no dia seguinte, ao sabor do vento e da conveniência. A exactidão do erro deste ministério é a única constante com que podemos contar.

Todos os anos, também mais ou menos por esta altura somos confrontados com os resultados da colocação de professores. Há três anos que não se realizava qualquer concurso para ingresso nos quadros. A expectativa dos 111 mil candidatos era enorme. Para muitos tratava-se de finalmente obter um vínculo profissional mais estável ao fim de muitos anos de serviço e para muitos outros tratava-se de conseguir obter colocação numa escola mais perto do seu local de residência que lhes permitisse recuperar o direito à sua vida privada.

A importância do resultado para a vida destas pessoas é gigante. Não é portanto compatível com a insignificância, a pequenez do pensamento de quem argumenta com o número bruto de professores colocados. A ilusão da ciência vem deste número: 30 mil professores colocados.

Mas é preciso dizer que estes são menos de um terço dos candidatos. E é preciso dizer mais. É preciso dizer com clareza quantos foram colocados no quadro pela primeira vez: apenas 417. Isto é, apenas 0,3 por cento dos candidatos. Mas é preciso ir mais longe e constatar que não entrou no quadro nenhum professor do ensino pré-escolar, nem do 1.º ciclo nem nenhum professor de matemática ou de português do 2.º ciclo.

Não é desta forma que se resolve o défice de oportunidade da aprendizagem. Resolver os problemas de uma escola desigual que, ano após ano reproduz desigualdade precisa de uma orientação coerente que invista na oferta educativa precoce e melhore a vinculação dos docentes aos projectos de educação dos locais. Que os comprometa e reconheça. Esse efeito não se obtém com uma relação precária. Contra a exactidão dos sonhos dos professores que esperam ver o seu trabalho reconhecido, o seu percurso profissional estabilizado, o governo só tem a manipulação da ilusão dos números para oferecer e o adiamento das expectativas. Em nome da ilusão de uma ciência falsificada que toma a parte pelo todo e promove os resultados de exame como o indicador da evolução da educação, o governo vai surfando a onda do momento e só contribui para agravar o equívoco.

Texto de Alda Macedo, em escola.info

Professores desterrados


Uma colega, PQZP, não colocada no concurso de professores, questionava a sua nova situação profissional. Acabando as vagas de QZP’s, para que serve a designação? Não sendo Professora Contratada também não poderia ser considerada uma Professora do Quadro de Escola. Eu sei que esta controvérsia irá ser retomada quando for reactivado o diploma dos vínculos profissionais e, provavelmente, aí seremos mais, muitos mais, a perceber o que significa ser um professor desterrado.

Post de Miguel Pinto, em OutrÒÓlhar

Domingo, 12 de Julho de 2009

Precariado docente x 3


A precarização do corpo docente tem sido um dos consensos mais perenes da educação em Portugal. O bloco central que tem governado a educação insiste em manter milhares de professores/as em situação de instabilidade total. Mesmo quando outros/as tantos/as se reformaram, mesmo quando o número de alunos/as em alguns ciclos de ensino aumentou, o número de vagas continua a ditar a precariedade ou o desemprego e a fazer com que muitos/as vivam com a casa às costas.

A precariedade docente não é uma sina é uma política. Só que, sendo a política de todos os partidos do arco do poder, parecerá sina enquanto a actual situação política se mantiver.

1- Os/as eternos/as contratados/as

Este problema é crónico e já quase não é notícia. A opinião pública recebe já dessensibilizada a informação desta semana de que 99% dos/as candidatos/as à vinculação ficaram de fora, depois de já ter recebido a notícia da corrida às reformas dos/as professores/as e educadores/as. Ao recebê-la assim, talvez não tenha ficado claro que o seu prazo de validade, a manter-se esta política educativa, é de quatro anos. Ou seja, do ponto de vista do governo o facto dos concursos para entrada nos quadros se realizarem de quatro em quatro anos é uma estabilização, do ponto de vista dos/as contratados/as significa, no mínimo, mais quatro anos de uma angústia precária vivida com a certeza de que as escolas precisam permanentemente de mais professores/as.

2- AEC, precários/as a tempo inteiro

Mas se parte do problema se arrasta há muitos anos, este governo inventou também novas situações de precariedade. A "escola a tempo inteiro" correspondeu à formação de um novo corpo de precários a tempo inteiro: os/as professores/as e monitores/as das Actividades de Enriquecimento Curricular.

E se o grande argumento para manter os/as contratados/as numa situação de precariedade permanente é, no primeiro caso, a poupança orçamental, esta segunda condição precária de muitos/as professores/as parece ser contra-intuitiva do ponto de vista desta argumentação. Se o objectivo da precariedade é poupar, como se justifica que a invenção das AEC seja um mau negócio a tempo inteiro em que o Estado paga às autarquias para pagarem a empresas privadas (sem grande supervisão da sua qualidade e sem que se conheçam muitos concursos públicos para este efeito) que por sua vez pagarão, a recibos verdes, tarde e a más horas aos/às professores/as?

3- Novas oportunidades/novas precariedades

O programa das "Novas Oportunidades" constituiu, para além de uma obsessão de certificar à pressa e com uma finalidade meramente estatística, uma nova oportunidade de precarização do sector docente. Sendo também uma nova oportunidade de negócio, dados os apoios que entram nas entidades formadoras, as "novas oportunidades" são também elas um programa que se percebe precário e de vistas curtas que apenas criará empregos precários e em condições difíceis permitindo mais uma vez que os grandes ganhadores sejam os intermediários. O que menos interessa é a qualidade do ensino ministrado nas "novas oportunidades", apenas que seja de certificação rápida para que se possa agradar a quem procura um grau mais elevado de formação e se possam mostrar um acréscimo de habilitações para inglês ver.

Artigo de Carlos Carujo, publicado em Esquerda.net

Protesto contra a precariedade docente

Na próxima quinta-feira, frente ao Ministério da Educação, às 16h, a FENPROF organiza um protesto contra as injustiças do concurso de professores/as, contra a precariedade que continua a ser a norma de muitos/as docentes e pela realização de um novo concurso de vinculação para o próximo ano. Há informação sobre inscrições em autocarros nos respectivos sites dos isndicatos da Fenprof.

É fundamental passar palavra e juntar todos/as os/as que possam ir para demonstrar de novo a nossa força!

Vê aqui mais informação

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Um estudo para medir o impacto da propaganda


A equipa da Universidade Católica encarregue da avaliação externa da Iniciativa Novas Oportunidades (INO) não está a aferir qual a qualidade das aprendizagens, assumiu ontem Roberto Carneiro, líder da equipa. "O nosso objectivo não é avaliar o rigor e a qualidade da INO. Avaliámos foi a percepção das pessoas sobre a INO", disse o ex-ministro da Educação na apresentação das primeiras conclusões da avaliação efectuada.

Ora aqui está uma evolução criativa deste governo. Já não basta fazer propaganda, agora fazem-se estudos sobre a eficácia dessa propaganda junto das pessoas. Na verdade, para saber se vale a pena insistir na mesma cosmética ou se mais vale mudar o tom das cores. Quanto à substância do programa, recusa discuti-la ou avaliá-la. Lamentável.

Quando vai haver condições para trabalhar na escola?


Se só por si os quadros interactivos ou separadamente os projectores multimédia que estão a invadir as escolas, reforçado com o objectivo de um computador por sala de aula, e ainda o portátil “Magalhães” que ocupou na integra o Boletim dos Professores N.º 16, como instrumento de propaganda do Ministério da Educação, fossem factor de estabilidade e de condições fundamentais para trabalhar na escola, o sucesso estaria garantido, tal é o investimento tecnológico do governo, que procura nesta fase final da legislatura, impressionar as comunidades escolares, com extraordinárias remessas de material informático que chega ás escolas a um ritmo alucinante. Ao ponto de em alguns casos, os novos equipamentos contribuírem mesmo para fazer realçar o desfasamento entre a falta de condições das instalações e a tecnologia colocada ao dispor dos alunos e professores. Mas não, não é suficiente, nem mesmo decisivo e o tempo se encarregará de demonstrar, pena será, caso se faça balanço (já que não se vem fazendo ás sucessivas falhadas politicas da educação), que se esteja a hipotecar o futuro da actual geração de estudantes.

Pois não bastam todos estes novos meios ao dispor do vazio de perspectivas, a componente humana, a necessidade de valorização das pessoas era bem mais necessária e estimulante, até para as aprendizagens e os consequentes resultados sem artificialismos para as estatísticas. Bem pelo contrário, o Ministério da Educação prefere profissionais sem motivação, sem estímulo, sem perspectivas, sem estabilidade. Vai daí, como temos assistido, torna este período de férias, no caso dos docentes, um autêntico pesadelo, um dia a dia de ansiedade e tantas vezes de desilusão e angústia.

Afinal os resultados dos concursos de professores confirmam ser os piores de sempre. A manipulação de números para fazer crer o que não é verdade, volta a repetir-se nitidamente com o intuito de enganar a opinião pública, tal como já anteriormente aconteceu com a “novela” da avaliação do desempenho dos docentes, cuja continuação dos próximos capítulos está pendente deste ano eleitoral.

A precariedade laboral que está a agravar-se na escola pública, é tanto mais evidente, quando, dos mais de 100 mil participantes no concurso, 50 mil são professores precários, muitos há vários anos e outros que concorrem pela primeira vez, dos quais apenas quatro centenas conseguiu um lugar no Quadro.

O Ministério da Educação na sua diferente interpretação da realidade, anunciou que, dos mais de 100 mil participantes no concurso de professores, válido para quatro anos, foram colocados 30 mil professores.

Mas como as actuais gerações de docentes ainda vão resistindo a deixarem de pensar e ter opinião, só podem concluir, que analisando estes 30 mil, percebe-se que cerca de 18 mil são professores que apenas pediram transferência de Quadro de Escola, perto de 12 mil são docentes que estavam num Quadro de Zona Pedagógica e entraram nos Quadros de Agrupamento e apenas 417 dos candidatos precários obtiveram colocação nos quadros.

Não conseguindo disfarçar a demagogia dos números e o desrespeito cínico pelos professores, cujas expectativas para este ano eram compreensivelmente maiores devido aos milhares de professores que se aposentaram. Perante mais esta afronta, que tranquilidade, que estabilidade para a escola pública e seus profissionais, que respeito pelas comunidades escolares. Este é o desafio que temos na véspera de mais um ano lectivo, que não parece trazer grandes mensagens de paz.

José Lopes (Ovar)

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Divisão na carreira é "veneno" para a educação


A divisão da carreira de professor é vista como "um veneno para o sistema educativo". São críticas lançadas no Fórum "Educação", promovido pelo Diário Económico e que reuniu diversos especialistas. O sociólogo da educação, Licínio Lima, da Universidade do Minho e com trabalhos na área das organizações educativas, identificou erros no sistema de escolha dos titulares. A jornalista Andreia Brito escutou estas visões do sistema educativo. Ouve aqui

O curto circuito do Poder

O Director Regional de Educação do Alentejo, José Lopes Verdasca, é o candidato do PS à Câmara Municipal do Redondo (Évora), nas eleições autárquicas deste ano, revelou hoje fonte partidária. Militante do PS, José Lopes Verdasca, que assumiu a Direcção Regional de Educação do Alentejo em Dezembro de 2005, é licenciado em Economia, com mestrado e doutoramento na área da administração escolar (fonte Lusa)